A tristeza do luto é um redemoinho que quer te afogar

A tristeza do luto

A tristeza do luto é como um redemoinho gigante que puxa para baixo, tentando me afogar.

Com o tempo, ele vai ficando mais fraco tornando possível que eu suba com mais frequência à superfície para que eu possa respirar. Todas as vezes que eu afundo, engolido por essa força terrível da natureza, uma mão se estende e me puxa para cima. É a mão de uma criança, mais forte do que eu. É a única em que eu posso me agarrar.

Um dia após o outro, o redemoinho escuro e profundo se torna tão fraco e ralo quanto aquele que se forma na pia do banheiro. A tristeza do luto é assim, asfixiante no início, mas um dia ela vai embora. O meu redemoinho reaparece às vezes, mas não me assusta mais, afinal eu tenho uma mão pequena que me segura com firmeza todas as vezes que eu afundo.

Quando temos um objetivo, no meu caso tornar minha filha uma criança feliz, sem traumas pela perda da mãe, fica mais fácil e mais rápido superar essa fase da vida que todos passamos ou passaremos algum dia.

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Entenda os estágios e enfrente a tristeza do luto

“Negação, raiva, barganha, depressão e finalmente a aceitação são os 5 estágios do luto que aparecem enquanto as pessoas vão adaptando suas reações ao tentar lidar com uma determinada realidade”, diz psicóloga. Assista ao vídeo

 

A tristeza do luto é um redemoinho que quer te afogar
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12 thoughts on “A tristeza do luto é um redemoinho que quer te afogar

  • 11/07/2016 at 19:21
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    Olá, achei o blog muito legal e tenho lido muita coisa. Não estou vivendo o luto diretamente e para ser sincera, nunca perdi alguém importante, mas sinto a necessidade de compreende-lo, e certamente por isso leio muitas coisas a respeito e por fim, descobri o blog. Há algum tempo atrás, passei a me relacionar com um viúvo, com filhos, família e ao que me parece um amor imenso pela esposa que se foi. No início confesso que não dei muita importância ao fato dele ser viúvo, mas com o tempo percebi que era algo bem importante e que sempre será. Eu gosto muito dele, mas tenho muitas dúvidas e grandes dificuldades em como agir diante dos “reveses”.

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    • viuvo
      12/07/2016 at 14:53
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      Obrigado pelo elogio ao blog. Ainda tenho muita coisa para fazer nele, mas a falta de tempo não permite que me dedique mais.

      As pessoas não sabem lidar com a morte porque é tabu falar sobre ela.

      A vida segue e quem perdeu um ente querido sabe disso. Por isso tudo acaba por tomar seu rumo e o que era dor torna-se boas lembranças.

      Obrigado novamente. Muita paz pra vocês.

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  • 29/03/2016 at 09:16
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    Olá; bom dia!
    Conheci seu blog através do site vamosfalardeluto. Há 3 meses perdi meu marido de 29 anos também de meningite não tínhamos filhos…não sei se é bom ou ruim não ter tido. Estou voltando para a casa da minha mãe temporariamente até me fortalecer mais. Esse processo de mudança também é muito doloroso, eu digo que a perda é uma dor tão forte que jamais pensei que iria passar ainda mais com meu João. Éramos felizes dançávamos sem música, mas como todos os seres humanos somos vulneráveis e as coisas acontecem de uma hora para outra. O que tem me ajudado bastante é ler blogs como o seu, sites, família, amigos e os nossos animais. Espero ansiosa para essa dor diminuir e ficar apenas a saudade é as lembranças. Um abraço e obrigada por compartilhar sua história

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    • viuvo
      29/03/2016 at 10:03
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      Os primeiros meses são terríveis. Aos poucos, vamos aprendendo a viver sem aqueles que amamos. Antes eu achava que uma história terminava para começar outra, hoje eu vejo que a história continua só que com novos capítulos, novos personagens, momentos diferentes. Eu que agradeço em poder conhecer um pouco da sua história.

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  • 11/03/2016 at 01:05
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    Olá, conheci sua história através do programa da Fátima Bernardes… Tenho vivido o luto há quase 1 ano, nossa filha de 4 anos partiu em abril de 2015. Eu estava grávida de 4 meses do Irmão que ela deu o nome de Arthur. Eu e o meu esposo temos buscado força, pois existe de um serzinho de 6 meses que merece toda a felicidade de uma vida… Não é fácil me sinto muitas vezes no “redemoinho asfixiante” como vc mesmo escreveu todos os dias, mas busco olhar para o alto e me concentrar… A vida mudou muito pra gente, mas creio num futuro onde a dor da saudade dará espaço somente para as lembranças!

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    • viuvo
      11/03/2016 at 12:44
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      Eu achei que o meu redemoinho havia se extinguido, mas voltou forte depois do programa. Agora, parece que ele está indo embora novamente. A tristeza do luto é assim, um dia ela vai embora para sempre.

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      • 16/04/2016 at 20:16
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        Acabei de conhecer o blog através da Folha, queria dizer que perdi meu pai no ano de 2007, e sinceramente… O redemoinho acalma mas não desaparece. O vazio sempre vai estar lá, eu tinha anos na época, meu irmão tinha 12 e meu irmão tinha 5 não morávamos com meu pai e por isso meu irmão não sofreu tanto mas mesmo assim sempre que ele está sensível com algo da crise de choro e volta tudo. Tenho 21 hoje, sou casada e tenho uma filha linda e ainda dói, como não sei desenhar nem bonecos palito eu aprendi a escrever cartas pra ele contando o que tem acontecido aqui… E eu tento ao máximo guardar as lembranças que tenho pq enquanto vai ficando mais fácil elas tb vão sumindo…

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        • viuvo
          16/04/2016 at 20:30
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          Às vezes uma foto, uma música, um objeto traz o redemoinho de volta, mas ele não é mais tão forte. Muita paz pra você!

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  • 23/02/2016 at 08:08
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    Depois que meu marido faleceu, aprendi a dizer eu te amo todos os dias pra meus filhos, numa manhã, que parecia ser apenas mais uma manhã, foi a ultima vez que disse eu te amo pra meu marido antes dele sair pra trabalhar, ele estava em tratamento pra depressão, havia melhorado um pouco, depois de um “eu te amo, vai com Deus” ele foi e depois de unas duas horas recebi a terrível notícia, não pensamos que um “eu te amo” ou “me perdoe” pode ser as nossas ultimas palavras e por mais difícil que seja falar nisso é necessário pensar que temos de fato apenas o momento “agora” e temos q aproveitar pra dizer o que sentimos e dar nosso tempo a quem amamos.

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    • viuvo
      11/03/2016 at 12:55
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      Também digo “eu te amo” todos os dias. Brinco sempre que posso. Ouço tudo o que ela tem pra dizer. Aprendo muito com ela.

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  • 22/02/2016 at 22:21
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    Olá!!!! Conheci a história de vocês pelo programa da Fátima Bernardes e me identifiquei com a sua história. Mesmo em meio à dor fazemos de tudo para que nossas filhas cresçam sem traumas e felizes. Há 15 meses meu esposo nos deixou em um trágico acidente à caminho do trabalho, e a nossa luta não tem sido diferente da sua. Deus os abençoe e lhe dê sabedoria, sempre!

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    • viuvo
      23/02/2016 at 07:44
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      Oi, Kellen. Obrigado pelas palavras. É uma luta diária, não é mesmo?

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