Desenhar – uma incrível forma da criança expressar e processar o seu luto

A Rafaela manifesta seus sentimentos em relação a morte da mãe através de desenhos.

Os desenhos da Rafaela foram muito importantes para o processo do seu luto. Os desenhos sobre a mãe começaram no dia do velório, quando contei que a mãe falecera.

A mãe morreu de meningite, de forma repentina, de um dia para outro. No dia do velório, telefonei para a psicóloga da escolinha para saber que atitude deveria tomar frente à terrível situação.

Deveria levá-la ao velório? “Sim” foi a resposta que eu já sabia que ouviria, no entanto, recusei a aceitar essa atitude tão recomendada atualmente pelos especialistas em luto infantil.

A alternativa, proposta pela psicóloga, foi pedir para que ela fizesse um desenho de despedida. Imediatamente aceitei.

Talvez você concorde comigo: contar a sua filha que a mãe morreu e minutos depois levá-la ao velório, com dezenas de pessoas chorando, dizendo coisas que não devem ser ditas a uma criança de 5 anos (pelo menos é o que eu imaginava sob o estresse daquele momento) é complicado, não é mesmo?

 

 

Luto infantil

O primeiro desenho da Rafa (outubro 2014).
Ela desenhou no dia em que eu contei que a mãe havia morrido.

O primeiro desenho desencadeou uma sequência de novos desenhos que acompanharam a Rafaela durante todo processo do seu luto.

Como pai, posso afirmar com certeza, que os desenhos tiveram e têm grande importância. Incentivei,  muitas vezes, minha filha a desenhar, porque é através dos desenhos que ela manifesta seus sentimentos, expressa a sua dor. Também é uma oportunidade para que eu, como pai, possa conversar com a minha filha sobre o assunto, falar sobre nossos sentimentos, de conversar de como era a mamãe e quanto ela a amava e a ama, mesmo não estando presente.

Certa vez, fui alertado por um pai que eu não deveria ficar falando o tempo todo sobre a morte da mãe com a Rafaela. Em primeiro lugar, eu não fico falando sobre morte a todo momento, a vida segue, temos outros assuntos. Em segundo, é justamente o contrário: não falar sobre a morte da mãe pode se tornar um grande problema. No site Vamos Falar Sobre o Luto, no artigo com o título “Seis Conselhos para Ajudar uma Criança no Luto“, podemos encontrar alguns conselhos do psicólogo americano Robin F. Goodmann, especialista em trauma e luto, que trata sobre o assunto.

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A estrelinha amarela e sorrindo estava sempre presente nos desenhos da Rafa (agosto 2015).

 

 

desenho de crianca sobre a morte

desenho de crianca sobre a morte

A estrelinha aparecia em todos os desenhos da Rafa.
Mesmo no desenho de dinossauro.
Depois ela contou que quando estava com saudades da mãe
desenhava e a saudade diminuía.

 


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Primeiro Natal sem a mamãe (Natal 2014).
A Rafa acredita que a mãe está mas está no céu, brilhando, sorrindo e cuidando da gente.

Desenhar e fazer vídeos – duas diferentes formas de expressar o sentimento da criança enlutada

Ainda citando o artigo “Seis Conselhos para Ajudar a Criança no Luto”, segundo o conselho do psicólogo americano Robin F. Goodmann, “Crianças precisam de diferentes expressões para os seus sentimentos. Ajude-as a encontrar aquela que é melhor para elas”.

Minha filha adora assistir aqueles vídeos do YouTube, produzido por crianças. Percebi, então, uma ótima oportunidade para por em prática o conselho de  Robin F. Goodman.

Comecei com vídeos da Rafaela explicando seus desenhos, depois ela dá dicas pra as crianças de como não ficar triste com a perda da mãe ou do pai. Nada foi forçado. Ela faz porque gosta. É um momento especial para ela, principalmente quando jogamos juntos um game chamado Roblox e gravamos um vídeo da partida no computador.