O PIOR DIA DA MINHA VIDA

Luto infantil - desenhos de criança sobre o luto da mãe

Ela percebe que algo muito ruim aconteceu. Falo quase sem pensar:

“o coração da mamãe foi ficando fraquinho, fraquinho, até parar”

Agora, com o rosto sem lágrimas, ela mostra um desenho: tem uma árvore, uma menina segurando uma flor e uma estrela amarelinha.

“É a mamãe que virou estrelinha”

 


LEVAR CRIANÇA NO VELÓRIO: DECISÃO DIFÍCIL

Não saía da minha cabeça como contar para uma criança de 5 anos que a mãe tinha morrido. Então, pedi para as diretoras da escolinha da Rafa, que estavam no velório, para entrar em contato com a psicóloga da escola.

Por telefone, fui orientado a buscar a minha filha e levá-la ao velório. Certa vez, havia lido que essa é a maneira mais adequada para a criança aceitar a morte da mãe. Mas, francamente, não concordo e não concordei naquele momento.

Não acho correto levar uma criança em um local estranho, onde há várias pessoas chorando na volta de um caixão. Comovidas, as pessoas iriam abraçá-la e dizer coisas que não sei se seriam adequadas.


OS DIAS SEGUINTES DA PERDA DA MÃE

Foram tão terríveis quanto o dia que contei para Rafinha o que acontecera. Além da minha preocupação com o estado emocional dela, eu ainda tinha que torcer para que a doença não se manifestasse em nós. Por termos contato íntimo com a Eliane, certamente, éramos portadores da bactéria. O período de incubação é de dez dias, portanto poderíamos apresentar os sintomas após esse período.

Todas as manhãs, eu procurava manchas pelo corpo da Rafaela. Qualquer pinta de picada de mosquito me deixava apreensivo. Embora tivéssemos feito um tratamento com antibiótico, não havia 100% de garantia que estivéssemos livre da bactéria.

Felizmente, a doença nunca se manifestou.

Seguimos a nossa vida e encaramos de frente os problemas. Conversamos muito sobre nossos sentimentos. Não removi uma única foto da mãe da Rafa. Tem uma foto dela com a mãe.

A foto está colada na cama. Ela guarda algumas coisas da Eliane em uma caixa e, às vezes, tira para mostrar e conversar comigo.

No começo, eu pensava em passar alguns dias na casa do meu pai, mas só adiaria o sofrimento. Fui orientado a não mudar a rotina da Rafa e assim fiz.


A DEPRESSÃO DO LUTO

Felizmente, escapamos da depressão. Sei que ainda temos uma jornada pela frente, mas juntos, nada vai impedir que sejamos felizes.

 


No final desta página, tem um campo para você fazer um comentário. Escreva sobre sua experiência. Sua história pode ajudar muita gente.

63 thoughts on “O PIOR DIA DA MINHA VIDA

  • 12/07/2017 at 17:57
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    Meu nome e Andrey, 25 anos. Perdi minha esposa 24 anos a menos d 15 dias ela passou o dia bem aparentemente as 7 fui deitar ela e minha enteada d 3 ano foram escovar os dentes minha esposa caiu no banheiro e la faleceu. Perdi a fé na vida e to muito mal,

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    • viuvo
      14/08/2017 at 11:26
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      É difícil, Andrey. Fiquei péssimo quando minha esposa morreu e deixou minha filha de 5 anos para eu cuidar.
      Vai fazer 3 anos e muita coisa aconteceu desde então.
      Estamos bem e felizes. Só o tempo faz a gente se livrar da dor.

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  • 19/05/2017 at 19:06
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    O pior dia da minha vida…foi dia 11/05/17 minha amada esposa faleceu, nesse dia ela já tinha recebido alta de uma cirurgia no intestino por conta da doença de crhow que tinha desde os 14 anos e agora com 30anos teve uma embolia pulmonar assim que tomou banho para sair do hospital, suas últimas palavras foi dizer aos médicos que precisa ver Manuela, nossa filha de 3 anos….meu Deus e agora?

    Dois dias depois disse para ela pois via todos chorarem e contei a história da estrelinha, ela chorou muito sentida junto com toda minha família que estava ao redor e nesse momento pensei que não iria aguentar tanta angústia, minha filha que amo tanto estava sofrendo e eu me sentia impotente…..hj faz 9 dias e minha família, amigos e um anjo (pisicologa da escolinha) estão me ajudando muito e sei que vou superar e fazer a Manuela uma criança super feliz….

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    • viuvo
      21/06/2017 at 10:12
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      Os professores das crianças são muito importantes nessa hora. Acho estranho porque não encontramos nenhum texto ou artigo a respeito da importância dos professores na convivência com a criança enlutada

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  • 10/05/2017 at 18:10
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    Há menos de um mês, ao chegar em casa, quando colocava o carro na garagem, percebi que minha filha de um ano e meio não parava de chorar.

    Entrei mais rápido que o normal e ao chegar ao quarto vi a cena mais terrível da minha vida, minha esposa de 28 anos, que estava grávida de 7 meses e meio, estava em óbito na cama.

    O chão se abriu embaixo de meus pés e o mundo ficou escuro, assim descrevo aquele dia, só tive forças para pegar minha filha e fazer uma ligação para o serviço de emergência, depois recebi a notícia que não houve tempo de salvar o bebê também, era outra menina como já sabíamos.

    Já estava tudo preparado para sua chegada, estávamos esperando e chegada de uma vida e se foram duas, desde então estou tentando retomar a vida e cuidar de nossa filha, porém, é muito difícil.

    Sempre que lembro dele não consigo segurar a emoção e as lágrimas rolam pelo rosto, tenho certeza que essa dor dará lugar a saudade e tudo irá caminhar novamente.

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    • viuvo
      21/06/2017 at 10:52
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      Faz quase três anos que a mãe da Rafa morreu e eu ainda me emociono. Então eu acho que não superamos, mas nos adaptamos a uma nova vida.

      O luto é como uma ponte que precisamos atravessar. A ponte balança, parece que vai desabar, mas ela não cai. Juntos, eu e a minha filha, precisamos seguir em frente para atravessá-la.

      Do outro lado há uma nova vida, nem melhor, nem pior do que aquela que deixamos para trás. Só é diferente.

      Desse lado da ponte, não sentimos mais aquele medo da ponte desabar. Agora estamos mais confiantes e mais fortes, prontos para encarar novos desafios nessa jornada que se chama vida.

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  • 20/04/2017 at 13:48
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    Os vi na Fátima Bernardes.

    Também fiquei viúvo a um ano e meio e fiquei com minha filha de 21 anos, que no dia do sepultamento me disse, pai perdi minha maior melhor amiga.

    Foi um grande baque perdi minha querida esposa, mas tive a sorte de minha filha já estar criada e muito bem criada pela a minha querida. Essa filha me ajudou a seguir em frente e estou vendo que independente da idade elas nos levam pra frente.

    Amigos, todos vcs que estão com suas filhinhas pequenas, confiem, elas mostrarão o caminho, somente não esqueçam de ama-las com muita força, a saudade nunca passa mas juntos conseguiremos superar a perda.

    Ronaldo, parabéns pela a sua coragem de demonstrar sentimentos como vc próprio disse, não fomos criados para demonstrar sentimentos, mas elas nos ensinam que sentir, ajuda a superar. Bela iniciativa do BLOG.

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    • viuvo
      22/04/2017 at 10:28
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      Olá, João! Temos muito a aprender com nossas meninas. São corajosas e amorosas. Obrigado a participar do blog, seu depoimento é importante.

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  • 20/04/2017 at 12:35
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    Acabei de ver a participação de vocês no Encontro.

    Não passei por nenhuma situação nem parecida, mas ler os sentimentos seus e da Rafa, e as histórias nos comentários, me emocionaram muito.

    Nesse momento, eu não sei nem como expressar minha admiração por todos vocês que precisam deixar a dor de lado e cuidar dos filhos sem o pai ou mãe, e desejo a todos os pais e mães viúvos, e aos filhos.

    Que Deus esteja sempre com vocês, os protegendo, amando e fortalecendo. Ronaldo, você é incrível, e a Rafa deve morrer de orgulho de ter um pai como você, parabéns por passar todos os dias de maneira brilhante por essa missão tão difícil.

    Você é digno de muita admiração de todos os seres humanos, meus sinceros parabéns.

    Muita força e luz para você e para a linda Rafaela.

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    • viuvo
      22/04/2017 at 10:29
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      Obrigado, Letícia!

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  • 23/02/2017 at 14:55
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    Olá Pai Viúvo.

    Também sou um pai viúvo, com um filho de 05 anos também.

    Perdi minha esposa dia 20/02/17, de um AVC. Ficou internada no hospital desde 12/12/16.

    Foram 68 dias de muito sofrimento, mas também de momentos alegres e emocionantes.

    Tive a oportunidade, depois de mais de 20 dias de UTI, de conviver com ela no quarto. Ficaram muitas sequelas. Fala, movimentos… mas conseguíamos nos comunicar com os olhos dela (sim olhos para cima, não olhos para baixo).

    Consegui, nessas 05 semanas de quarto, dizer tudo que sentia por ela. Falei muito do meu amor por ela e que ela ficasse tranquila que qualquer coisa que fosse acontecer, eu ajudaria ela.

    Enfim, legal ter um canal assim para trocar umas ideias com quem também passou por isso que estou passando.

    Dói muito, mas sei que o tempo irá ajudar.

    Grande abraço!

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    • viuvo
      23/02/2017 at 15:26
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      Olá, Rodrigo. Obrigado por participar. Ler os depoimentos e escrever o que sentimos é muito importante porque ajuda a nós mesmos e a outras pessoas a assimilarem melhor a perda e a perceber que há muitas histórias semelhantes a nossa.

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      • 24/02/2017 at 11:55
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        É uma ferida muito recente. Acredito que aos pouco vou conseguir superar toda essa dor e ausência dela e acabar sendo uma saudade doce e boa. Por enquanto ainda está muito doído.
        Grande abraço e força para nós!

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  • 14/02/2017 at 17:04
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    Dia 01/12 um dos dia que não sai da minha cabeça.

    O Clayton havia feito o exame mielograma no dia 30, infelizmente bem no dia do meu aniversário. Estávamos esperando o exame ficar pronto dia 02.

    Me lembro que levantamos, fui lavar roupas e planejávamos fazer compras à tarde, quando minha irmã me liga e diz que a médica pediu para o Clayton ir no consultório.

    Ele mais que depressa pediu para eu olhar na internet o resultado do exame, quando olhei deu 90% de blastos, quando coloquei o resultado no Google, na hora apareceu leucemia mielóide aguda, minha garganta fechou fui tomada por um desespero inicial, mas mantive a calma, engoli o choro.

    Precisava ser forte para dar esta notícia para ele, precisava ser forte, pra cuidar também do bebê que estava dentro de mim.

    De repente, alguém bate no portão. Era a mãe dele e um amigo para levar ele para internar. A mãe tentou segurar o choro e esconder, mas eu disse “ele já sabe e esta bem, tem fé suficiente pra enfrentar isso, vamos em frente”.
    No fundo, estava anestesiada. Fomos para o consultório onde a médica disse o que a gente já sabia. Encaminhou ele para internar.

    Deu muita esperança de cura, foi tudo rápido. Saímos dali direto para o hospital, e lá ele foi encaminhado para o quarto.

    Eu, tentando ser forte, acabei passando mal, tendo que ser medicada com a pressão alta.

    Enfim, foram longos 14 dias. Ele estava bem, me lembro de ter colocado comida na boca dele por mimo mesmo. Ele queria ser paparicado, gostava disso. Tinha tanta fé de sair bem daquele lugar. Eu e a Giovanna orávamos todos os dias declarando que ele estava curado, iria voltar pra casa.

    Não houve tempo de despedida, não houve tempo do último pedido, porém ele se foi amando eu e as crianças. Para ele não existia esposa melhor que eu, nem filhas melhores que a dele.

    Eu não tenho remorso. Disse tudo que queria e fiz por ele tudo que eu podia fazer. Lembro que o único dia que ficou triste foi no dia 14.

    Foi para o CTI e lá não podia ficar com o celular, me ligava o dia todo. Enfim, fui embora do hospital abalada. Porém, tinha deixado ele bem.

    A médica ainda falou assim: “ele ficará aqui ate estabilizar, umas 24 horas somente”. Lembro muito desse dia. Cheguei em casa não tinha uma gota de água. Tive que dormir sem tomar banho. às 5h50 da manhã meu telefone toca, era do hospital. Pediram pra ir e levar documentos dele. Tremia muito. Liguei para meu cunhado me levar, até mobilizar as pessoas pra ficar com as crianças. Tomei banho, meus dentes não paravam de bater, pedi calma a Deus e, na mesma hora, me acalmei.

    Chegando no hospital, um médico muito grosso, me deu a notícia sem se quer um preparo, mesmo sabendo que eu estava grávida. Não acreditei. Fiquei inconformada.

    Queria ver ele, assim me chamaram pra ver. Ele estava no mesmo lugar que eu tinha visto ele vivo pela última vez. Enrolado em um lençol, coloquei a mão sobre a testa dele, ainda estava quente. Não acreditava na morte.

    Fui para casa da minha irmã em choque, na esperança de receber uma ligação que o coração tinha voltado a bater, mas pelo contrário, só recebia visita de consolo e um pedido para escolher a roupa que ele usaria no velório, pedido de documento para fazer o atestado de óbito, e assim foi passei o dia deitada na esperança de tudo mudar.

    Às 22h, o horário que estava marcado para começar o velório, me levantei e fui. Chegando lá, ainda havia esperança dele não estar lá.

    Quando eu vi tantos amigos e familiares, as pernas não aguentaram. Precisei sentar e ter força para ver e acreditar. Eu, ali naquele cemitério, e as minhas filhas achando que teriam somente uma noite do pijama ao lado das primas.

    Me recordo de uma frase triste que meu sobrinho falou, as crianças não sabiam o que estava acontecendo, ao ver meus irmãos, e outros sobrinhos já maiores chorando. O meu sobrinho de 7 anos disse “nossa, tá todo mundo chorando”. Nesse momento começou a chover e ele disse: “até Deus está chorando”. Me derramei em lágrimas, então foi sepultado e a vida voltava ao normal.

    Apesar da minha dor, as contas chegavam, minhas filhas tinham que comer, juntei meus caquinhos e fui dar entrada na pensão. Ele faleceu dia 15/12. Marcaram para eu dar entrada em abril. O INSS não queria saber o que iríamos comer, beber e vestir.

    Nesses 4 meses, chegando o Natal, minha filha Giovanna pede a Deus que ele deixe o pai vir para nossa casa, pelo menos no Natal. Isso partiu meu coração. Foram muitas humilhações que eu sofri, tantas perguntas sem resposta, tanta raiva, tanta dor, às vezes revoltas, mas encontrei varias pessoas que me ajudaram e ajudam até hoje, e o amor de Deus que é tudo pra mim.

    Minha vida mudou muito, fui forte pelos meus filhos, pelo meu bebê que ainda estava no ventre, e o tempo foi passando, a dor aumentando, mas a gente vai percebendo qual caminho certo a seguir.

    Meu esposo me faz muita falta, e não adianta as pessoas dizerem eu imagino, só quem passa sabe. Hoje estou aqui vestida com uma armadura, mas meu coração esta ferido, mesmo assim me sinto feliz e grata a Deus por tudo que tenho, por tudo que sou, principalmente pela vida dos meus filhos, a lição que eu tirei disso tudo.

    A gente se engana muito com as pessoas. Deus dá uma força imensa no momento certo, ele nunca te abandona, confie nele, se entregue a ele todo seu coração e tudo vai da certo.

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    • 20/02/2017 at 23:52
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      Oi Ana Paula. Você descreveu exatamente o que passei em novembro de 2016.

      Minha esposa faleceu e me deixou uma bebê de menos de um mês. Ainda hoje sinto como se vivesse um pesadelo e que acordarei a qualquer momento e tudo não passará de um sonho ruim. Só quem vive essa situação pode saber o quanto, muitas vezes, é asfixiante, dolorosa, cruel…

      Como essa pessoa amada nos faz falta o tempo todo. De fato, só Deus para nos dar consolo e nos fazer seguir em frente, pelos filhos principalmente. Sou solidário a sua dor e ao seu momento.

      Que deus continue abençoando você e sua família e que você, bem como eu, supere com sabedoria e esperança esse momento tão duro.

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      • 22/02/2017 at 22:49
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        Olá Marcio é muito difícil mesmo são tantos sentimentos misturados, dor, medo, angustia,raiva,incertezas,aí a gente se encontra em uma situação que a única saída e lutar e seguir e muitas vezes esquecer de nós mesmo,comer sem ter vontade, sorrir sem ter motivos, tudo pelos filhos,eles dependem de nós.

        Lembro bem o dia que eu fui em uma consulta estava com a pressão alta e poderia ficar, minha filha olhou para mim e disse’Mamãe você vai voltar né? eu disse sim filha vou, mesmo não sabendo,ela disse meu pai foi para o hospital e não voltou, eu nesta hora fui para o banheiro e respirei fundo não chorei para não causar mais preocupação para ela.

        Graças a DEUS deu tudo certo no parto apesar das pessoas perguntarem direto cadê o pai do seu bebê , ou então dizerem nossa 3 filhos agora você vai ligar né, ou dizer nossa duas meninas, o pai deve ta babando que agora é um menino, mas infelizmente eu não tinha mais o pai né , ele não viveu para conhecer o seu filho homem.

        DEUS ta no controle e um conselho que eu dou, não se desespere confie,façam o que é certo sempre independente da vontade de as vezes jogar tudo pro ar,nem sempre acreditar em DEUS são os joelhos que se dobram,mas sim os que permanecem de pé, o milagre somos nós.

        Parabéns aos pais que cuidam dos seus filhos, quero indicar três filmes,os corajosos, você acredita, e o caminho para eternidade, vai fortalecer vocês.

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  • 15/12/2016 at 18:45
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    Olá. Fiquei viúvo em 20 de novembro de 2016. Tenho uma filha de 8 anos, um menino de 5 e uma bebê de 50 dias. Minha mulher fez o parto em 27 de outubro, no dia 29 passou por uma cirurgia de duas úlceras duodenais.

    No dia 2 de novembro foi operada novamente. Estava se recuperando bem, mas uma pneumonia inesperada ceifou-lhe a vida. O mais difícil foi contar para as crianças. Ninguém que passa por essa situação conseguiria imaginar como é duro seguir adiante.

    Que Deus nos abençoe. Parabéns pela sua iniciativa.

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    • viuvo
      16/12/2016 at 09:17
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      Sabe, Márcio, eu percebi que nesses dois anos sem a mãe da Rafa que o que aconteceu nos deixou mais fortes, mais seguros e com coragem para enfrentar qualquer desafio.

      A Rafa é uma criança com uma autoestima muito grande, como disse a sua professora do 1º ano. Eu acredito que isso tem a ver com a nossa vivência muito próxima e a vontade de nós dois ajudar um ao outro.

      Mesmo ela tendo somente 5 anos de idade na época, ela estava sempre querendo me agradar e disposta a ajudar.

      Eu tenho certeza que você e as crianças irão se adaptar e ficarão mais unidos do que nunca. Um abraço e obrigado pelas suas palavras!

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      • 26/12/2016 at 22:17
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        É verdade. Os filhos nos impulsionam e nos fazem ver uma renovação na vida, apesar das circunstâncias. Você tem razão, eu e meus filhos estamos mais unidos mesmo, cuidando uns dos outros em amor. Com o decorrer do tempo pretendo contar como estamos. Grande abraço e felicidades!

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  • 21/05/2016 at 13:14
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    Olá, Muito bom o depoimento de vcs pq assim não sinto que fui castigada por Deus.

    Há 16 dias perdi meu marido, ele tinha acabado de receber alta da oncologista, estava curado e teve um choque séptico fatal, minha filha de 6 anos ainda não colocou para fora, não chorou, fala o tempo todo e ora pedindo a Deus que o devolva, ontem estávamos dando uma volta de carro e ela me disse que ele estava ali com a gente, o sofrimento é imenso, a casa era alegria pura e agora um silêncio, somos só nós duas.

    Estou com muito medo de não dar conta, a dor no peito é muito forte e a solidão nem se fala, Maria está reagindo bem, continua a mesma rotina, mas não sorri e quer saber de tudo após a morte.

    Ela é muito madura para acreditar em estrelinhas, já falei isso, e ela respondeu que não é possível, que o papai está fazendo um curso com Jesus para ser anjo.

    O maior orgulho que tinha era ter dado uma família feliz para Maria e agora ela não aceita não ter papai, está com vergonha de ir para escola, já está preocupada como vai fazer nos dias dos pais.

    Ainda não acredito que tudo isso está acontecendo?

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    • viuvo
      22/05/2016 at 09:00
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      De 5 para 6 anos de idade a criança muda muito. A Rafaela vai fazer 7 anos agora em julho e não fala mais em estrelinha. Aos poucos, eu falo para ela sobre as religiões e o que elas dizem sobre a morte. Mas não dá para ir a fundo no assunto porque já é difícil para um adulto, imagina para uma criança de 6 anos.

      Sempre conversamos muito sobre o que aconteceu e sobre nossa tristeza. Conversar sobre o assunto foi muito importante. Quando ela dizia que queria que a mãe voltasse para o planeta Terra eu dizia que isso não era possível. Foi se acostumando com a ideia e hoje aceita a morte da mãe. Finalmente, voltou a ser feliz.

      O Dia das Mães ainda é um problema para nós, eu entendo perfeitamente a sua preocupação com o Dia dos Pais. Nessas datas festivas como Dia dos Pais, das Mães e apresentações de fim de ano, a criança sofre porque vê a outras crianças felizes sendo abraçadas pelos seus pais. Notei pelos comentários dos pais no blog que as crianças tem reações diferentes sobre esses eventos na escola. Acho que a criança deve decidir se quer participar e o pai ou a mãe tem que combinar com os professores como serão os ensaios e o dia da apresentação.

      Infelizmente a vida não é perfeita. A morte está presente nas famílias. Coisas ruins acontecem com qualquer pessoa, no entanto essas coisas ruins nos deixam mais fortes e algo incrível pode surgir de um acontecimento trágico. A criação desse blog, por exemplo, foi motivada por uma tragédia em nossa vida e, segundo as mensagens que recebo todos os dias, tem ajudado muita gente.

      A sua filha vai superar esse momento e você ainda vai aprender muito com ela. Vai dar tudo certo!

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  • 17/05/2016 at 22:12
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    Só quem passa por isso sabe como é, perdi meu marido de forma trágica em um acidente próximo a casa de meus pais, uma coisa sem explicação, que me pergunto por que? Hoje completa 30 dias, e a cada dia que passa a saudade bate, só que o problema maior é a nossa filha que tem 3 anos, não estou sabendo como lidar com esse assunto, hoje ela queria ver o pai, e perguntou se ele morreu, ela não participou do funeral. A dor pior é por ela.

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    • viuvo
      18/05/2016 at 07:45
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      Aline. Realmente, a gente sofre em dobro por causa de nossos filhos.

      Eu também não quis levar minha filha no velório. Mas fui orientado para que ela fizesse um desenho de despedida da mãe para que entendesse que a mãe não voltaria mais. É muito importante que a criança entenda que o pai ou a mãe não voltará mais. Foi muito difícil.

      A minha filha estava com 5 anos. Nessa idade, a criança está começando a compreender o conceito de morte. A Rafaela teve dois hamsters que morreram antes da mãe falecer. Então, ela já sabia que quando os animais morrem eles não voltam, assim como as pessoas.

      Fiz com que ela compreendesse que a mãe não estaria mais com a gente, mas estará sempre cuidando de nós e sempre nos amará.

      Alguém da família disse que a mãe virou estrelinha. Por muito tempo isso me incomodou porque alguns psicólogos dizem que não se deve dizer isso, no entanto, depois eu entendi que o importante é a criança saber que a mãe não voltará e não há nada de errado em dizer que virou uma estrela. Na minha opinião e experiência própria, o lúdico da estrelinha amarela foi muito importante para a Rafaela. É assim que ela se expressa em seus desenhos. Aliás, os desenhos foram importantíssimos para a Rafaela. “Pai, quando eu desenho a saudade vai embora”, disse ela uma vez.

      Veja aqui ela contando sobre como fazia para não ficar triste: http://paiviuvo.com.br/rafaela-da-agora-duas-dicas-para-as-criancas-nao-ficarem-tristes/

      As crianças de 3 anos, como no caso da sua filha, ainda não entendem que a morte é algo finito. Elas acham que a mãe ou o pai vão voltar. É importante dizer sempre que eles não voltarão, mas estará sempre amando ela. No caso da Rafa, eu disse que ela está lá no céu, olhando para nós e sempre vai nos amar. “Mas e de dia quando as estrelas não aparecem, como ela vai cuidar de nós?”, disse ela. “As estrelas estão lá em cima, só que o brilho do sol não deixa a gente enxergar”, respondi. É assim, temos que responder tudo.

      Vai dar tudo certo, Aline! Muita paz pra vocês.

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      • 18/05/2016 at 21:38
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        Obrigada mesmo pela atenção, a minha filha hoje perguntou se o pai morreu, foi respondido que sim, pois ela falou que estava com muita saudade e queria vê-lo, ai foi mostrado foto dele, ficou bem, mas sei que a saudade aperta, mas não tenho como fugir da realidade. Tenho que trabalhar ela fica com minha mãe vai a escola, esta seguindo o ritmo normal, porém eu não consigo me concentrar nas tarefas. Mas Parabéns pelo blog, é muito bom. Obrigada.

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        • viuvo
          19/05/2016 at 08:16
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          Eu que agradeço, Aline!
          As pessoas não gostam de falar sobre o assunto. É importante trocarmos experiências.

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  • 26/04/2016 at 15:04
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    boa tarde meu amigo!

    infelizmente estou passando pela mesma situação,minha esposa faleceu a 30 dias vitima de Lupus e deixou nossa filha de apenas 4 anos de idade do sendo mãe e pai e com a ajuda de minha mãe, não ta fácil estou tentando seguir em frente firme e forte,já contamos para ela que a mamãe virou estrelinha e foi morar com papai do céu graças a deus ela reagiu muito bem e todos os dias sentamos na garagem para conversamos com ela olhando para o céu ,Deus abençoe você e sua filha.

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    • viuvo
      19/05/2016 at 10:58
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      Carinho e atenção é o que mais importa para nossos filhos. Principalmente nesse momento tão difícil.

      Eu converso muito com a Rafa. Com o tempo, fica natural falar sobre a mãe. Muita paz pra vocês!

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  • 16/04/2016 at 19:27
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    Meu amigo, compartilho sua dor, sei o que é faz 10 meses e meio que perdi minha esposa.

    Coincidência o chamava ELIANE, foi aos 41 anos, de AVC Hemorrágico, foram 5 dias de sofrimento na UTI, eu só com minha mãe ajudando a cuidar de minha filha Bianca Elise, de 3 anos e 9 meses e o mundo desabando em minha volta, também trabalho em casa sou corretor. Ela também virou uma estrela, esta no céu, meu psicologo.

    Hoje é mais que um irmão, ainda busco um sentido para esta morte esta duro lidar com tudo, moro longe de minha família, uma sobrinha veio morar comigo, estuda e me ajuda muito, e minha irmã esta ajudando muito, mas família é família, desde o velório meu irmão não fala comigo problemas de família, mas entendo o que nós passamos e hoje, digo a você tudo tem um sentido, elas se foram não foi a toa, nós temos e ficamos com uma missão, um objetivo, para com nossas filhas, busquei em amigos uma ajuda e consegui novos amigos, irmãos que me ajudaram e ajudam até hoje e continuarão.

    Tenha em sua mente Deus deixou-nos essa missão temos de superar e ser pai e mãe, e a minha esposa estranhamente no dia das mães no ano passado não tirou nenhuma foto junto com a filha, na escolinha, o cartão da máquina tinha 5 fotos só isso, tenho certeza que ela pressentia o fim o seu espírito sabia, e preparou tanto a mim quanto a Bibi para isso, hoje é minha filha e como ela brinca eu sou seu filho.

    Cara é duro mas hoje estou abrindo para um estranho isso é difícil falar, mas temos de fazer pois só assim superaremos nossa dor.

    Força, para nós e todos os pais e mães que tem esta missão aqui na terra, criar só os filhos, Deus sempre tem um objetivo lá no final descobriremos.

    Reply
    • viuvo
      16/04/2016 at 20:27
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      É muito importante falar, expor o que a gente sente. Guardar a dor só piora! Vamos em frente com a nossa missão! Obrigado por comentar e pelas suas palavras.

      Reply
  • 14/04/2016 at 16:11
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    Parabéns pelo site amigo… Muito bem feito e belos posts.

    A vida é dura. Mas vai dar tudo certo.

    Estou torcendo pela felicidade de voces

    Reply
    • viuvo
      14/04/2016 at 16:48
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      Já está dando certo, Rafael! Obrigado!

      Reply
  • 21/03/2016 at 23:04
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    Boa noite. Sei como é difícil isso.

    O mesmo aconteceu comigo: perdi meu marido de forma repentina; dormi casada e amanheci viúva. Na época, minha filha tinha 2 anos e meio, agora está com 5.

    Ela vê os filmes e fotos com ele, mas diz que não se lembra dele, o que é natural, pois era muito novinha. Mas sente muitas saudades e fala que o ama muito.

    Tive que lidar com a minha dor e a da minha filha. Realmente, é muito difícil. Seu trabalho e como você lida com isso é muito bonito. Abraços.

    Reply
    • viuvo
      22/03/2016 at 07:11
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      Obrigado pela palavras. Abraço!

      Reply
  • 29/02/2016 at 16:21
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    Muito legal a iniciativa.
    Desejo de coração a você e sua filha que sejam muito felizes.

    Passei por algo similar.
    Lidei melhor com a situação através da meditação.

    Paz para você e sua família.

    Reply
    • viuvo
      01/03/2016 at 06:55
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      Obrigado, Pedro. Abraço.

      Reply
  • 24/02/2016 at 00:24
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    Boa noite, Ronaldo!!Não nos conhecemos pessoalmente, mas eu trabalhava com a Lili na fábrica. Ontem ao ver o programa da Fátima, passou um filme em nossas mentes a respeito de tudo o que aconteceu.

    Todos nós gostávamos muito dela.Com toda a alegria que tinha e o bom humor, ela fazia a diferença no nosso dia. Era a nossa rotina almoçar juntas, Eu ela e o Jô (Joédson).

    Ao mesmo tempo que se abateu a tristeza novamente sobre nós, confesso que fiquei um pouco aliviada ao ver vocês, pq uma das perguntas que faziamos era como a Rafa, a Bia e vc estavam, pq não tinha um dia que a Lili não falava sobre elas e não contava as novidades da Rafa.

    Fiquem com Deus, torço muito pela felicidade de vocês!!!Grande Abraço!!

    Reply
    • viuvo
      01/03/2016 at 07:01
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      Oi, Daiane. A Eliane está fazendo falta na vida de muitas pessoas. Ela era uma daquelas pessoas que passa pela vida da gente e deixa algo de bom para sempre. Estamos ótimos. Todo mundo feliz e saudável.

      Reply
  • 22/02/2016 at 22:35
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    Boa noite Ronaldo!!!

    Como é difícil aceitar, diregir e ter que dar essa notícia aos nossos filhos. Minha filhota tinha 2 anos e 7 meses quando o pai dela saiu para trabalhar e não voltou mais. Um trágico acidente de seu carro com um bitren tirou a sua vida.

    Eu disse à ela que o pai agora mora no céu, Deus o chamou. É claro que aos poucos muitas perguntas foram surgindo. Hoje ela escutou um pouco do programa Encontro, o qual eu via a sua reportagem e daí fez a pergunta: “mamãe como que o papai foi para o céu?”

    Pela primeira vez falei do acidente, nossa… como foi difícil pra mim. Ainda não usei a palavra morte com ela. Hoje ela tem 3 anos e 10 meses e em muitos momentos é ela o meu consolo.

    Tenho escrito muitos momentos para que ela possa ler quando crescer e sempre faço de tudo para manter a presença e a lembrança do pai na vida dela.

    Parabéns pela forma como tem conduzido. Deus te abençoe e lhe sabedoria.

    Reply
    • viuvo
      23/02/2016 at 07:52
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      A Rafa também fez a mesma pergunta, tentei explicar, mas eu acho que ela não entendeu. Obrigado pela palavras.

      Reply
  • 22/02/2016 at 12:01
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    Parabéns Ronaldo! Assisti um pouco da sua história no programa Encontro e fiquei muito tocada pela forma e força que você vem conduzindo todo esse processo com a pequena Rafa.

    Perdi meu pai e um acidente quando eu tinha apenas 6 anos e sofri minha vida inteira tentando imaginar como poderia ter sido tudo diferente se ele estive comigo.

    Fiquei sem pai, sem mãe e passei por muita tristeza. Hoje sou casada e tenho duas filhas lindas.

    Mesmo sem embasamento, faço questão de transmitir a elas todo o carinho que aprendi a nunca receber.

    Vocês são fortes e certamente terão uma vida linda pela frente.

    Reply
    • viuvo
      22/02/2016 at 22:06
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      Obrigado pelas palavras de carinho!

      Reply
  • 22/02/2016 at 11:56
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    Conheci seu blog através do programa Encontro.
    Me emocionei demais com os desenhos da sua linda filha, e com seus depoimentos no blog.
    espero que possam superar juntos essa terrível perda, e que Deus com sua imensa misericórdia possa confortar o seu coração…

    Reply
    • viuvo
      22/02/2016 at 22:07
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      Obrigado! A Rafa está superando muito bem.

      Reply
  • 10/02/2016 at 21:57
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    Meu irmão acabou de perder a esposa de forma repentina.

    Minha cunhada tinha 42 anos e foi vítima de um aneurisma. Foi tudo muito rápido. Ela faleceu em uma semana no hospital. Assim como vc ele ficou com minha sobrinha de 5 anos, a Julyana.

    Estamos ainda meio que em estado de choque e tentando segurar essa barra pesadíssima junto com ele. Ele é meu irmão caçula. Temos outra irmã do meio e eu sou a mais velho. Temos nos mantido unidos.

    Proporcionando à Julyana o convívio com os primos. Mas como me dói!!! Meu filho tem 6 anos e não consigo imaginar como seria a vida dele sem mim ou sem o pai. Pra nós que somos pais essa é uma situação que causa dor só de imaginar… Hj se tornou uma questão de honra pra mim ajudá-lo nessa jornada. Ela já sabe que a mãe não vai voltar.

    Está meio em negação. Não toca no assunto. Estamos cercando ela de amor e atenção para que essa perda não lhe cause traumas. É muito triste… Tenho crises de choro e não paro de pensar.

    Indiquei seu blog pro meu irmão pois acredito que somente alguém que tenha passado por algo semelhante sabe exatamente o que ele está passando. Minha cunhada faleceu no último dia 28/01/16.

    Abraço e seu blog será leitura frequente pra nós.

    Reply
    • viuvo
      10/02/2016 at 23:53
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      Oi, Adriana. Obrigado por participar. É muito difícil para nós, pais viúvos, porque não achamos que somos capazes de criar nossas filhas tão bem quanto as mães. E, sinceramente, não somos. É impossível substituir uma mãe. No entanto, a nossa missão é fazê-las felizes tanto quanto possível.

      Sabe, Adriana, os homens não gostam de falar de seus sentimentos sobre o luto. Talvez seja por isso que eu comecei a desenhar, é mais fácil do que falar. Tem um site muito interessante que trata justamente sobre isso http://www.vamosfalarsobreoluto.com.br.

      Por favor, continue postando seu comentários no blog. Isso pode ajudar outras famílias a superar essa fase difícil.

      Reply
      • 12/02/2016 at 22:19
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        Olá, Ronaldo. Boa noite.

        Obrigada pelas palavras. Acredito que a sensação de se ver sem a esposa e com a missão de dar proseguimento à criação de uma menina de 5 anos seja uma situação que amedronta… Afinal, como vc mesmo disse, impossível substituir uma mãe.

        Fico observando meu irmão ao mesmo tempo que sofrendo se esforçando para preencher esse espaço que de repente ficou vazio. A Juju tem apresentado alguns comportamentos que eu ainda não consegui definir bem. Em alguns momentos ela super bem e de repente fica irritada, chorona, manhosa… Principalmente quando está perto dele.

        Vc percebeu esse tipo de mudança de comportamento em sua filha? Fico pensando se não seria a forma que ela está encontrado de extravasar essa saudade / tristeza que ela está sentindo. Confesso que estou perdida… Meu irmão não acredita em psicologia. Sobre o site eu conheço. Nas minhas pesquisas da internet.

        E foi através dele que achei seu blog. Meu irmão está fechado. E compreendo que vcs homens nao se sintam confortáveis em expor sentimentos… Mas isso também me preocupa.

        Tenho medo que ele fique depressivo. Será que posso ajudar de alguma forma?
        Abraço,

        Reply
        • viuvo
          13/02/2016 at 00:50
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          Boa noite, Adriana.

          O comportamento da Juju parece ser muito parecido com o da Rafa. A irritação ainda ocorre na Rafa, manha e falar sozinha é bastante frequente. Hoje, indo para o supermercado de carro, olhei pelo espelho e ela estava de olhos fechados e as mãos juntas, rezando.

          Ela não quis me dizer sobre o que rezava, eu respeitei.

          Apesar disso, quase sempre ela está rindo e brincando. Não estou mais preocupado dela ficar com traumas. Acredito que esse comportamento faz parte da adaptação.

          Os homens são todos iguais, não é mesmo? Eu também “desconfio” da psicologia 🙂 Eu leio bastante, assisto aos vídeos, mas filtro o que não concordo. Uma coisa eu concordo com eles: o luto é passageiro.

          Perder alguém que amamos faz parte da vida.

          Reply
  • 30/01/2016 at 14:23
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    A Nati tb expressa os sentimentos nos desenhos e o papai está sempre feliz lá no céu. Trabalho de casa e graças a Deus consigo ficar mais tempo com minha filha. Não sei ao certo qual o nosso estágio aqui em casa. Eu ainda sofro.

    Reply
    • viuvo
      31/01/2016 at 17:08
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      Edna, é incrível como as crianças são otimistas e demonstram através do desenho que o pai ou a mãe estão felizes no céu. A Rafa sempre desenhava a estrelinha sorrindo.

      A gente nunca sabe ao certo qual o estágio que estamos, acredito que não é tão definido.

      Acho que a tristeza da perda é como um redemoinho que puxa a gente pra baixo e temos que fazer força pra subir e respirar. Com o tempo, ele vai perdendo a força. Comigo, atualmente, ele reaparece às vezes. Parece que nunca vai desaparecer de vez.

      Reply
  • 29/01/2016 at 09:45
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    Minha filha acompanhou todo o sofrimento do pai do começo ao fim, e ficou muito abalada, decidi levar para um psicologo pq até eu mesma estava perdida. Tb não tenho paciência com psicologo, levei por 3 meses e desisti.

    Vi que eu como mãe saberia lidar melhor com a situação. O meu tratamento foi: viajar bastante e sempre estar rodeado de amigos e família.

    Hoje vejo que o resultado foi ótimo para ela, ela sempre fala do pai com muito carinho, aqui em casa é proibido por minha filha falar do papai na época da doença, só podemos falar dele das épocas boas e de muitas alegrias.

    Ele não morreu e sim foi morar no céu, pq aqui os médicos não encontraram remédios para curar o papai, e como o papai sentia muita dor Deus resolver levar o papai para o céu para cuidar dele lá.

    Hoje o papai não sente mais dor e está super bem, cuidando da gente lá de cima e um dia a gente vai viajar para o céu e encontrar o papai. O céu está muito feliz pq o papai fica fazendo palhaçadas lá e todo mundo chora de rir.

    Está foi a explicação que dei para ela sobre o falecimento do papai.

    Reply
    • viuvo
      29/01/2016 at 18:03
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      Muito carinho de professores, amigos, primos, avós, carinho de todos é fundamental.

      Está sendo assim com a Rafa e funcionou. Preferi não fazer ela estudar no turno integral para que eu fique mais tempo com ela. Eu trabalho em casa, isso ajuda muito.

      A Rafa não ficou com a imagem da mãe doente porque foi tudo muito rápido, pouco mais de 24h. Ainda bem, porque ela ficou com um aspecto horrível. Conversamos muito sobre nossos sentimentos, como você deve ter visto nos desenhos que eu fiz. Pior do que a nossa tristeza é suportar a tristeza de nossos filhos.

      Pesquisando muito, encontrei um vídeo que fala das fases do luto – está publicado neste blog.

      Acho que estamos quase na última fase, não tenho certeza porque não é assim tão definido como eles dizem.

      Reply
  • 29/01/2016 at 00:05
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    O pior dia da minha vida…Foi quando falei para minha filha de 06 anos que o papai agora morava no céu. Sei muito bem o que vc sentiu e sente, pq passei por isso há 11 meses.

    Vi o desenho da sua filha falando que não queria ir na comemoração do dias das mães na escola. Minha filha falou: Mamãe não quero ir no dia das mães pq não será justo com o papai que está no céu .

    Não fui em nenhum comemoração sempre respeitando o sentimento da minha filha.

    Ela amava o pai, passou por psicólogo que cuida de luto infantil.

    Não é, e não foi fácil, mas sou, ou melhor, estou forte pq tenho a minha filha, ela perdeu o pai e não deixarei ela perder a mãe, continuo transmitindo para ela muito alegria, brincadeiras, viagens…tudo para que a gente consiga suportar a dor do luto e das saudades.

    Meu marido faleceu com 38 anos de câncer, nunca pensei em ser viúva com apenas 38 anos, tínhamos a mesma idade e muitos sonhos e planos.

    Reply
    • viuvo
      29/01/2016 at 00:38
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      Edna, obrigado por colaborar com seu comentário. Poucas pessoas tem coragem de falar sobre o seu próprio luto. Hoje em dia, o luto virou um tabu e ninguém fala ou gosta de ouvir sobre o assunto. O resultado é que há pouca literatura. Só vejo psicólogos repetindo os mesmos assuntos, o mesmo discurso e ditando como devemos agir. Por isso é muito importante que as pessoas falem sobre o que estão sentindo e como superaram o luto. Não tenho nada contra os psicólogos, só acho que um único discurso não é bom.

      Reply
    • 22/02/2016 at 23:48
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      Boa noite Ronaldo.

      Conheci sua história hoje no programa encontro, chorei muito, vivi algo parecido há cinco anos atrás.

      Meu marido morreu d forma bruta e repentina, teve depressão e se suicidou, tenho filhos gêmeos e na época eles tinham cinco anos.

      Foi um pesadelo, por um momento nosso chão desapareceu, ficamos perdidos, a dor sufocava.

      Como você disse contar da morte é muito, muito difícil, parece que somos nós que estamos tirando o outro deles, mais ao contrário de você, pensei ser melhor leva los ao velório, foi sofrido, mais importante.

      Tão pequenos e tendo que passar por tão grande sofrimento, os dias que se seguiram foram quase insuportáveis, na hora de dormir, ficávamos deitados nós três abraçados chorando e eles perguntando ”mamãe o papai vai chegar?”.

      Na verdade até eu esperava ele chegar, com a ajuda de Deus estamos superando dia após dia, como você mesmo disse, uns fáceis outros difíceis.

      Eles também desenhavam muito e desenham até hoje e escrevem cartas pra mim falando da saudade do pai e do que sentem. Na escola, ganho os cartões de dia dos pais, deixei eles escolherem se queriam fazer ou não, dar a alguém ou guardar e eles sempre me entregam.

      Comigo é o contrário, você disse que não sabe arrumar o cabelo da Rafaela, eu não sei jogar bola, conversamos muito.

      Hoje olho pra eles e me alegro que mesmo sem um pai terreno, são filhos amorosos, bênçãos em minha vida, a dor existe, porém mais suave.

      Até hoje nos abraçamos e choramos e vamos continuar conversando e chorando pra expressar o que sentimos.

      Você está certo é muito importante falar sobre o luto, essa dor que nos sufoca, q leva um pedaço de nós, mais Deus deixa outro pra mostrar que há vida para nós após a morte de alguém que amamos. Obrigado por me emocionar.

      Que Deus continue abençoando você e a Rafaela, que tenham força e coragem pra seguir. Paz.

      Reply
      • viuvo
        23/02/2016 at 07:55
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        É muito bom ler experiências diferentes da minha. É uma troca de conhecimento. Obrigado. Muita paz pra vocês!

        Reply
  • 10/12/2015 at 00:42
    Permalink

    Meu irmão acabou de ficar viúvo.

    Minha cunhada estava grávida e entrou em trabalho de parto na noite do dia 05/12/15 minha sobrinha nasceu às 22:00 quatro horas após o parto minha cunhada veio à falecer, nós estamos até agora sem uma resposta porque nem mesmo a autópsia foi capaz de dizer a causa.

    Minha família está em pedaços, meu irmão é a tristeza em vida e nós ñ sabemos direito como lidar com essa perda tão repentina e inesperada.

    Gostaríamos muito que ele tivesse contato com alguém que tenha passado pela mesma perda, pois acho que só alguém que tenha sentido essa dor vai conseguir compreender o que ele está passando, só não sabemos como fazer isso.

    Eu já procurei fórum de discussões com homens viúvos mas ñ encontrei, você por um acaso ñ teria alguma dica para nos dar?

    Reply
    • viuvo
      16/12/2015 at 09:00
      Permalink

      Oi, Tatiane. Sinto pela sua cunhada e pelo seu irmão. Não existe muita literatura a respeito do luto, a não ser alguns depoimentos de psicólogos que sempre falam a mesma coisa, mas existem clínicas especializadas que podem ajudar seu irmão.

      Posso relatar aqui minha experiência como pai que passou por esse momento terrível, talvez isso ajude vocês a lidarem com a situação, no entanto, é minha opinião pessoal.

      Eu enfrentei a tristeza de uma forma mais consistente quando percebi que a partir daquele momento eu teria uma missão: cuidar da minha filha para que ela fosse feliz mesmo sem a mãe. Acredito que o seu irmão tem a mesma missão, assim como todos os pais viúvos. O desafio assusta, nos perguntamos “por que isso aconteceu comigo”, o fato é que não há resposta, só temos que cumprir nossa missão.

      Meus familiares deram apoio, mas o que eu achei mais legal foi que eles não ficaram em cima o tempo todo, respeitaram minha privacidade. Eu precisa, às vezes, ficar sozinho para por as coisas em ordem na minha cabeça. No entanto, é quando estamos sozinhos que a tristeza aperta mais o nosso peito.

      A tristeza não vai embora de uma hora para outra, a minha ainda não foi, são etapas do luto que temos que avançar uma após a outra. Os psicólogos afirmam que existem 5 fases do luto, veja o vídeo http://paiviuvo.com.br/as-5-etapas-do-luto/, é mais ou menos o que está acontecendo comigo.

      Mas a vida segue e temos que olhar para frente.

      Reply
  • viuvo
    06/10/2015 at 09:37
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    Obrigado, Luciano!
    Em breve teremos animações no blog.

    Reply
  • 06/10/2015 at 06:00
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    parabens pelo trabalho e garra de paizão e ser humano…..abraços

    Reply
  • 03/10/2015 at 09:16
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    Me emocionei… Recebam meu carinho…

    Reply
    • viuvo
      03/10/2015 at 11:17
      Permalink

      Obrigado pelo carinho!

      Reply
  • 02/10/2015 at 18:19
    Permalink

    Te admiro, um grande abraço.

    Reply

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