A RAIVA NO LUTO PODE LEVAR VOCÊ A FAZER COISAS ESTÚPIDAS

Se você perdeu alguém, provavelmente, em algum momento, deve ter sentido raiva. OK, isso é bem comum, dizem os psicólogos. Inclusive, há muito pouco tempo, a raiva era considerada uma das fases do processo do luto.

Algumas pessoas sentem raiva de Deus quando a morte é por causas naturais, sentem raiva do falecido porque ele não cuidou de sua saúde, raiva do assaltante, motorista imprudente e por aí vai.

 

A raiva no luto: alguém deve ser culpado pelo meu sofrimento e da minha filha

No meu caso, eu procurei vários culpados pela morte da minha mulher. Culpei a maldita bactéria da meningite, culpei o governo por não alertar a população pelo surto da meningite, culpei a empresa onde ela trabalhava, culpei até a mim mesmo.

A raiva no luto pode ser perigosa e, talvez, você faça coisas estúpidas. Pouca gente sabe, mas eu escolhi como o maior culpado de deixar minha filha sem mãe foi o médico de plantão da emergência do hospital. O médico mandou ela pra casa, quando, na verdade, ela deveria ficar no hospital como precaução, afinal, ela morreu no dia seguinte.

Movido pela raiva, eu fiz uma coisa muito estúpida. Um mês depois da morte da minha esposa, fui até o hospital, determinado a falar com o tal médico de plantão. Armei um plano: levar o receituário do dia da “consulta mortal” e pedir para ele assinar, porque o INSS estava pedindo para que o médico de plantão, assinasse.

Cego pela raiva, fui até a recepção da emergência e contei a história da assinatura do médico. A recepcionista caiu no conto, mas disse que ele não estava no momento e pediu para que eu ligasse à noite, quando saberia o horário que ele estaria no hospital.

 

A raiva no luto é uma oportunidade para o autoconhecimento

Coisas idiotas passavam pela minha cabeça, como por exemplo fazer um discurso aos gritos na sala de espera, esperar o médico chegar e esmurrá-lo, entre outras coisa não tão politicamente corretas.

Mas não fiz nada disso. Fui pra casa. As horas passaram e a fúria também. Os dias avançaram e percebi que seria um protesto solitário e inútil.

Certo dia, recebi a seguinte mensagem de um adolescente de quinze anos que assistia meus vídeos no YouTube: “minha mãe morreu, eu penso em me matar todos os dias, você conhece um jeito de eu fazer isso?”.

Então eu percebi que a raiva pela perda de alguém é diferente em cada indivíduo e pode ser muito perigosa. No entanto, ela permite que você conheça melhor a si mesmo e nos dá a oportunidade para refletirmos sobre nossos sentimentos.

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