Depoimentos emocionantes sobre suicídio

Reuni neste artigo depoimentos sobre parentes de quem cometeu suicídio e de quem tentou suicidar-se e se arrependeu.

Depoimento de Arli Vera sobre o irmão que cometeu suicídio

Não desista. Fale com alguém. ” o choro pode levar uma noite mas a alegria vem pela manhã.”

Minha família passou por uma situação muito triste. Éramos dez irmãos. Um deles cometeu suicídio, caindo alcoolizado de uma montanha. Morava na França. Era um cientista bem sucedido na vida profissional, mas na vida pessoal tinha um relacionamento difícil com a ex esposa e estava com problemas de saúde.

Meu irmão trabalhava na cidade de Grenoble na França, no laboratório próximo ao anel do acelerador de partículas. Doutor em Física do Estado Sólido. foi professor em algumas universidades do Brasil e França. Fluente em inglês e francês. Como dizem: chegou no topo da carreira.

A mãe e o pai, já idosos na época, comemoravam o aniversário de casamento de 50 anos e estavam felizes a espera da visita do filho. Alguns irmãos já se preparavam para visitá-lo. Enfim, todos o admiravam e queriam ser como ele. Sempre demonstrava que era bem resolvido e pronto p ajudar.

..um dia pela manhã, meus irmãos mais novos receberam uma carta de despedida..

Porém, um dia pela manhã, meus irmãos mais novos receberam uma carta de despedida explicando suas razões. Por causa do fuso horário, não pudemos fazer mais nada. Ninguém esperava por isso. Foi um choque muito grande para todos. Era como se eu estivesse caindo de algum lugar. Foi muito triste ver a mãe e o pai tão desolados e com cara de impotência.

A mãe e meu irmão mais novo fizeram um pedido: queriam despedir-se dele. Então, pedimos sabedoria e ajuda de deus , juntamos dinheiro, nos endividamos e enviamos meu irmão mais velho para buscar o corpo. Levou dez dias para chegar e para podermos fazer um sepultamento com homenagens e despedidas.

Valeu cada centavo, pois uma parte do luto foi resolvido com esta atitude. Muitos conhecidos nos recriminaram pelos gastos excessivos da repatriação, mas uma mãe ver o corpo do filho faz parte da aceitação e do luto.

Ver o rosto dela de satisfação, não teve preço. Foi mais forte que dar um abraço na mãe. Hoje eu penso que tomamos a atitude certa. Após alguns dias, minhas irmãs e alguns sobrinhos e irmãos ficaram com depressão, pois ele era muito querido.

Alguns parentes, inclusive, também pensaram em suicídio. Um deles teve que ficar internado um tempo. Tenho certeza de que se o meu irmão pudesse ver o resultado de como seriam os próximos dias após a tragédia, ele teria mudado de idéia.

Como a situação estava piorando entre todos, fui pesquisar sobre o assunto suicídio e consultar uma psicóloga para entender mais a situação. Conversar sobre como você está sentido ajuda muito e procurar um profissional também.

 

…quando alguém pensa em cometer suicídio, na verdade está querendo acabar com o sofrimento e não com a vida…

 

A psicóloga nos ajudou muito. Levei minha mãe e uma das minhas irmãs junto na consulta A psicóloga explicou que, quando alguém pensa em cometer suicídio, na verdade, está querendo acabar com o sofrimento e não com a vida.

Ela também falou que meu irmão não procurou ninguém, não quis desabafar com ninguém, a pessoa com quem morava também estava passando por problemas e não conseguia ajudá-lo, o que resultou em um sofrimento insuportável e o levou a beber para tomar uma atitude extrema.

Eu sou cristã e e sempre frequentei a igreja. Tive ajuda de muitos amigos em palavras e orações. De uma forma sobrenatural ficamos firmes. Nunca coloquei a culpa em Deus, porque foi decisão do meu irmão tirar a própria vida.

Certa vez, ouvi o testemunho de um homem que tentou tirar a própria. Se jogou de uma ponte muito alta. Disse que no meio do caminho sentiu uma angústia muito grande, se arrependeu e pediu ajuda para Deus. Isso aconteceu em segundos.

Quando caiu na água, ficou com várias fraturas. O sofrimento foi grande, mas naquele momento o barqueiro certo estava passando e conseguiu socorrer este homem. Durante o sepultamento, fui verificar o corpo do meu irmão. Percebi que deu tempo também de se arrepender.

Ainda que estivesse sob efeito de álcool, tentou segurar em algo. Acredito que agora ele está em paz com Jesus. Ninguém pode dizer o que acontece nos últimos segundos da vida de alguém. Para Deus o tempo é diferente.

Durante o sepultamento do meu irmão, junto com a mãe e o pai, sentimos muita tristeza, mas ao mesmo tempo entendi o significado do nome Espírito Santo consolador. Jesus estava conosco o tempo todo.

Hoje, quanto a mim, quero dizer que a vida é boa e que Deus é bom. Tive muitas decepções, problemas de saúde e traições, mas não desanimem vai passar!

Jesus passou por isso. Ele sente e sabe o que sentimos, está sempre pronto a nos ajudar. Se quisermos podemos todos os dias ter Jesus ao nosso lado. Não podemos ser prepotentes e decidirmos resolver nossos problemas sozinhos.

Algumas pessoas foram colocadas ao nosso lado como anjos protetores. Fale com alguém. Fale com Jesus, pois ele é real.

Eis suas palavras:

“Eu vim para que tenham vida e tenham em abundância…Entrega o teu caminho ao Senhor confia nele e ele tudo fará. Deus fará sobressair tua justiça como o sol do meio dia…Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho único para todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Poderia escrever muitos outros versos da bíblia aqui, mas também tenho um recado: HOJE NÃO é um dia de morrer. VOU VIVER! Amanhã vai ser melhor.

Desejo a paz de Jesus para todos. Um grande abraço. Arli Vera (uma aprendiz de Cristo)


 

Veja depoimento de quem tentou o suicídio e se arrependeu

Leia o depoimento de suicida do documentário “The Bridge” e depois assista ao vídeo.

Fui para a ponte, achei um lugar e pensei: “certo, não é muito perto do pilar. Não vou bater no pilar. Só vou bater na água ou vou me afogar, morrer com o impacto, ter um ataque cardíaco”.

Então fui para outro lugar. Fiquei lá de pé por uns 40 minutos. Sempre chorando muito.

Corredores, ciclistas, atletas, turistas e mais, e mais. Correndo, andando, passando por mim e me olhando. Não disseram nada. Esse não é o papel deles, não é problema deles.

Uma mulher chegou perto de mim e disse com sotaque alemão, acho que era alemão: “você pode tirar minha foto?”.

Eu pensei: “sua foto?, Mulher, eu vou me matar! Qual é o seu problema? Não dá para ver minhas lágrimas correndo do meu rosto?”. Mas ela não podia. Ela estava na onda dela. Então, peguei a câmera, tirei a foto e disse: “moça, tenha um bom dia”.

Olhei para o tráfego, depois para a baía e disse: “foda-se, ninguém liga”. E me atirei por cima da grade.

O que a maioria das pessoas fazem, aparentemente, é ir até a beirada, por fora da ponte, e ficam ali em pé. As pessoas podem convencê-los a não pular ou puxá-los, sei lá.

No segundo que minhas mãos soltaram a grade, eu disse: “não quero morrer”

Eu não queria que ninguém me convencesse de não pular. Eu só queria morrer.

Então eu pulei a grade com o apoio das mãos e ia cair de cabeça. No segundo que minhas mãos soltaram a grade, eu disse: “não quero morrer, o que faço agora”.

Era como… era isso, estava morto. Então pensei: “bem, se eu cair com os pés, talvez eu sobreviva”. Então eu estava caindo de cabeça e me virei para cima de algum jeito. Eu caí, literalmente, como se estivesse me sentando. Meio que, talvez com as pernas um pouco mais elevadas.

E bati com os pés. Acho que a água entrou nas minhas botas, talvez isso tenha ajudado no impacto. Afundei uns 15 ou 12 metros. Não sabia o que era para cima ou para baixo.

Ficava pensando “eu ainda estou vivo?”. Porque é uma queda de uns 4 a 7 segundos. São 120 milhas por hora. Acho que é a velocidade que os esquiadores chegam a descer rampas.

Eu estava acordado, estava vivo! Eu nadava para cima o máximo que podia para conseguir ar. Então cheguei à superfície porque vi um tipo de luz. Eu gritava por ajuda, mas não conseguia gritar. Eu não tinha voz, eu não conseguia. Não dava para berrar. Eu falava: “socorro, me ajude”.

Eu senti alguma coisa se esfregando na minha perna. Eu pensei “oh, perfeito, eu não morri pulando da ponte Golden Gate, um tubarão vai me comer”. Eu pensava “isso é ridículo”. Anos mais tarde eu descobri que não era um tubarão.

Era uma foca dando voltas ao meu redor e aparentemente era o que mantinha flutuando. E você não pode me dizer que isso não foi Deus porque é isso que eu acredito e é isso que vou acreditar até o dia que eu morrer.

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